Com ele
Hoje é domingo, e acabamos de voltar de uma breve viagem ao Peak District. Já estivemos lá - eu e M - algumas vezes. Essa foi a segunda vez que fomos acompanhados pelo cão. Viajar com o Darcy é um viajar diferente. A hospedagem precisa aceitar o bichinho. Tem toda a tralha: a comida, o pratinho, os brinquedinhos, a caminha, a manta pra botar por cima do sofá. A gente se tornou a família com o porta malas do carro lotado.
Se viajar com o Darcy é um viajar diferente, viajar com ele pra curtir natureza acrescenta aí mais uma camada de coisas pra preparar e considerar: toalhas pra limpar ele em caso de muita lama, guia comprida além da guia curta pra ele poder circular com um pouco mais de liberdade, garrafinha de água extra na mochila, e até kit de primeiros socorros canino.
Apesar de essa não ter sido a primeira ‘aventura’ dele, acho que foi a primeira vez que notei como eu alterei um pouco a minha relação com o entorno quando ele está junto. Talvez resultado da minha paranóia de cuidadora de cão de primeira viagem, mas a vantagem é que já estou parando de analisar isso com uma coisa negativa. Explicando: quando estou com ele, eu olho muito pro chão. Meu cão é um aspirador de coisas aleatórias. O bichinho nunca mastigou um chinelo ou destruiu uma almofada dentro de casa, mas quando está fora de casa a história é outra. Ele vai cheirando e aspirando. Tem vezes que a gente nem vê o que ele mastigou. Tem vezes que ele cospe, tem vezes que a gente tira da boca, mas a verdade é que a maioria do que é aspirado, é engolido. Por isso, eu olho pro chão. Em busca de qualquer coisa, meio que pra saber o que pode vir a passar pelo sistema digestivo do cãozinho.
Quando estamos eu e M com ele, um alertar o outro até virou um hábito, sem a gente nem perceber. ‘Ó, tem um passarinho morto ali. Cuidado, uma casca de banana. Passa longe ali daquelas frutinhas vermelhas.’ ‘Que frutinhas?’ ‘Tarde demais’.
Esse fim de semana a gente fez duas trilhas bem lindas, com paisagens vastas. O outono tá colorindo tudo, mas o que ficou na minha cabeça são as imagens do chão. As raízes, as pedras, a trilha alagada por causa da chuva que caiu a noite toda. Até notei um rasgo na minha bota que não tinha percebido antes. Vejo mais cogumelos, até a grama já não é ‘tudo a mesma coisa’ pra mim.
A gente sempre escuta ou lê que é importante olhar pra cima quando estamos andando em meio a natureza. Claro, é sim. Mas a prioridade está temporariamente alterada - olhar pra baixo, pra olhar por onde eu ando e o que ele pode comer.



Que belo passeio, como sempre! Vocês estão se saindo muito bem com o Darcy, estão se descobrindo tutores e cuidadores atentos as necessidades que implicam em viajar com ele. Que companhia maravilhosa!
Novas perspectivas fazem parte. Lindo demais o lugar para onde foram. E não aguentei ele colocando a cabecinha em cima da sua, no carro! 🧡