Mania de catalogar
Há uma obsessão generalizada com o ‘melhor’, o ‘maior’, o ‘mais legal’, o ‘preferido’ - parece que tudo a gente precisa botar numa caixinha assim. Qual o lugar que você mais amou conhecer? Qual o destino dos seus sonhos? Qual o mais inusitado? O mais aleatório? As situações, os hábitos e os hobbies também precisam ser catalogados assim. Eu particularmente tenho dificuldade enorme em rotular as coisas desse jeito.
Volta e meia me perguntam sobre a melhor trilha, trilha mais linda, a que você menos gostou, a mais inesquecível. Sei lá, pra mim tudo isso vive em conjunto. Tá certo, algumas são mais memoráveis que outras, mas as mais memoráveis so são rotuladas assim porque existem as… qual o contrário de memorável? Esquecível? Então, por causa das trilhas esquecíveis existem as memoráveis.
Me perguntam também sobre minha planta favorita, ou minha planta dos sonhos. Se eu tenho listinha de desejo de plantas. Acho isso muito estranho. Pra mim, a questão é outra: a planta que cabe, a que não cabe. A que gosta das condições da minha casa, e as que desprezam o que esse lar pode oferecer pra elas. A que eu compro aqui por perto, por uma valor que não é o preço exorbitante das plantas raras, as que nem deveriam estar na sua casa porque, vamos combinar, se elas são raras tá na hora da gente refletir porque. A minha planta favorita é a que sobrevive ano após ano justamente porque não surgiu de uma listinha de desejos, e assim me deixa feliz e me sentindo arrogantemente superior ao pessoal que posta nas redes sociais que não sabe manter uma planta viva.


Eu também me sinto assim. Difícil esse tipo de classificação. Ao mesmo tempo, as vezes acontece umas coisas tão foda, que a gente simplesmente sabe, mesmo que ninguém pergunte. E, de repente a gente se pega pensando sozinha, “ é realmente aquilo foi o que há de melhor!”
Também me sinto assim. Principalmente quando perguntam "qual seu livro da vida?", "qual sua banda favorita?"... Eu sinto uma angústia kkkk "Mas você lê tanto e não tem um favorito..." Gente tem o livro que gosto num momento e depois tem outro. Sei lá...