Nirvana e geotags
‘Onde é esse lugar?’costuma ser o primeiro comentário que aparece em fotos de lugares paradisíacos publicadas no Instagram. Mesmo que a gente saiba que a probabilidade de irmos até tal lugar é ínfima, essa vontade de saber em que canto do mapa mundi fica esse pedaço de terra tão fotogênico acaba sendo um consolo. Eu sei onde é. Quem sabe posso me organizar pra ir.
Eu estive em um lugar assim recentemente. Passei meses buscando palavras chave no Google, lendo reportagens e tentando descobrir exatamente qual a coordenada que eu precisava saber para chegar lá. Foi justamente uma foto compartilhada no Instagram, sem a geolocalização, que despertou esse interesse que é meio fora do comum pra mim. Se dá muito trabalho, eu deixo pra lá. Mas dessa vez não. Encasquetei, queria ir de qualquer jeito. Achei uma dica ali outra aqui. E deu certo.
O que era pra ser uma passadinha, uma parada rápida antes de visitar outra praia, acabou que foi o destino de um dia todo. Uma piscina em um penhasco na beira do mar, criada provavelmente na década de 1960 com alguns explosivos. No meu ponto vista, o melhor uso de dinamites que alguém já fez.
Água cristalina, silêncio, vista para a praia vizinha e para as ondas batendo nas pedras. Mesmo já acostumada com a água gelada, entrar na piscina é mais difícil: não dá pra ir aos poucos, igual no mar. Metade do corpo de uma vez só. Entrei. E foi a primeira vez que entrei na água aqui na Inglaterra sem ser na praia - então considero esse o meu primeiro ‘wild swim’, nadada selvagem. ‘Wild swimming’ por aqui é quase uma instituição. Assim como tem a turma das trilhas, das montanhas, tem a turma que nada em lagos, piscinas naturais, rios, cachoeiras. Saem de casa em busca de locações desconhecidas. Em qualquer época do ano.
Não tenho vontade de me tornar uma dessas pessoas, mas há tempos contemplava a ideia de experimentar a sensação de entrar nessas águas. Temporariamente fazer parte desse clube de pessoas que aparentemente encontram o nirvana quando entram na água, preferencialmente bem longe das multidões que frequentam os pontos mais conhecidos, aqueles que o Google dá pra gente sem muito esforço.
‘Onde é esse lugar?’. A resposta ao meu comentário no Instagram nunca veio. Mas eu achei. Eu me organizei. Fui. Encontrei o nirvana. Não usei geotags. Mas recebi mensagem de gente que está se organizando para visitar a Inglaterra e gostaria de dar uma passadinha, pra, quem sabe, garantir seu próprio nirvana.



Sempre bom encontrar um lugar que a gente considera especial. Sua alegria ficou nítida. Muito legal!
Eu já deixei anotadinha a dica e pontos de referência que tu me passou pq não sou boba nem nada ;)