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O cume e a cachoeira

O retiro pré-Natal foi uma analogia de 2022. Um lugar lindo, mas poucas horas sem chuva. Ofurô quentinho, mas mais gente querendo usar. Restaurante com comida gostosa, mas o preço da bebida exorbitante (bebi mesmo assim). Quarto com vista bonita para o lago e montanhas, mas vidro da janela com condensação que não deixava a gente ver nada lá fora.

E teve hiking! Um muito esperado hiking. Esse sim foi um perfeito resumo de 2022: assim que a trilha ficou íngreme, eu tive que parar. Eu tive que parar! O visual lindo (o tempo nem tanto) não foi motivação suficiente pra driblar meu cansaço. Isso nunca tinha acontecido antes. A única vez que precisei interromper uma trilha e dar meia volta aconteceu por causa da chuva e do vento. Mas cansaço… nunca.

Fiquei triste. Lembrei de setembro, quando peguei covid, e não conseguia sair do sofá. Fiquei brava, porque sei que não estou na melhor forma física, mas também sei que a razão disso é esse vírus desgraçado que não devolveu a vitalidade que me tirou.

Como não sou orgulhosa, dei meia volta. Decidimos retornar por um caminho diferente, que não teríamos feito caso a exaustão não tivesse dado as caras. Passamos por cachoeiras e piscinas naturais, e durante essa descida conectei tudo aquilo - a subida frustrada e o calmo retorno com trilha sonora de água em movimento - com esse ano inigualável de altos e baixos que foi 2022.

Esse ano eu quero mais desses retornos, mas quero também que eles apareçam sem ser em consequência de frustração. Quero o barulho e o visual das cachoeiras, mas sem deixar a satisfação do cume de montanha de lado.

Feliz 2023! Por um ano cheio de disposição.

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