Cortar grama é um efeito dominó. Um dos vizinhos começou, e todos os outros moradores da rua se sentiram pessoalmente pressionados a finalmente tirar o cortador de grama da garagem (é impressionante como essa é uma tarefa bem dividida por gênero, mas vou deixar essa reflexão pra uma próxima). Desde sexta feira (escrevo isso no domingo, dia três do feriadão de quatro dias) o barulho é constante. As vezes na casa ao lado, as vezes quatro casas pra esquerda, as vezes no nosso próprio jardim. É engraçado. Escutamos o barulho familiar da máquina e tentamos adivinhar: quem será que tá na lida hoje? O pessoal do 42? Ou o cara do 37? Sentada aqui da mesa da cozinha, vejo M conversando no quintal da frente com o vizinho. Ele - M - fez o jardim todo ontem, mas esqueceu de cortar lá na frente. Fazer a manutenção do terreno também força a socialização.
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Desde que trouxemos Darcy pra casa, em algum momento da madrugada eu levo ele pra fora, pro jardim, pra ele poder ir no banheiro. Nas primeiras semanas eu precisava fazer isso duas vezes, geralmente uma e quatro de manhã. Agora, dois meses depois, reduziu pra uma. Meu despertador toca às 3:40 (antes era 3, depois 3:15, aos poucos ele aguenta mais e mais). Coloco a calça do pijama, as meias, e desço. Aqui embaixo, coloco o casaco, e o processo todo de colocá-lo pra fora, esperar e voltar pra minha cama não leva mais que cinco minutos. Tudo isso pra falar que precisei encontrar alguma coisa interessante nessa nova rotina - e essa coisa é imediatamente olhar pro céu assim que abro as portas dobráveis da cozinha pro jardim. Muitas dessas vezes sou recompensada: o céu está estrelado, a lua brilha fortíssima. Já aconteceu de ter vontade de ir chamar o M pra ver como estava tudo lindo. Claro, volta e meia não tem nada pra contemplar. Nublado, fechado. Aí tento me distrair olhando para as casa vizinhas, pra ver se alguém está acordado aquela hora. Nada. Tudo sempre escuro. E aí eu me sinto dona desses minutinhos. Só eu estou ali. Eu, Darcy, e aquele silêncio grande. Um momento em meio a natureza que eu não sabia que iria experimentar quando estava no processo de me mudar pra essa casa, pra essa cidade.
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A fórmula jardim + cachorro tem me ensinado que sou mais parecida com a minha mãe do que imaginava no quesito limpeza. É impossível ter o piso que cobre o andar térreo da casa sempre limpo. Há sempre uma folha seca, uns pedaços de grama, ou marcas de patinhas sujas carimbadas. Quando visitamos a casa pela primeira vez, o piso foi a única coisa que desgostei. Agora estou satisfeitíssima de não tê-lo trocado. Antes sujeira do jardim no piso feio do que nos meus tão sonhados tacos.



Trate como um bebê - albeit um bebê lindo e delicioso! Deixe estragar tudo e quando ele parar de fazer isso você troca móveis e coloca os tacos com que tanto sonhou.
Adoro sua visão sobre a rotina