Vaso novo
Em tempos de confinamento, a chegada de um vaso novo e o processo de trocar uma planta de vaso torna-se contato com a natureza modo hardcore. Tem terra envolvida! Tem mão suja! Tem vaso que vai ficar vazio possibilitanto toda uma nova rotação de plantas!
Dois sacos com 8kg de terra esperavam ansiosos pela chegada do vaso novo. Um modelo lindo de terracota, que veio diretamento do Waitrose Garden pra minha casa. Alto, largo, parece aqueles vasos que a gente associa com a Toscana não sei porque. Parece que não pertence a um cenário chuvoso e frio e que espera ansiosamente receber sei lá, uma muda de um limoeiro. Mas o que ele vai receber é uma das minhas Pothos - que ganhei de ‘herança’ de uma amiga amada e que, diferente das minhas outras Pothos que estão penduradas no varão da cortina, está presa a uma espécie de tronco e cresce loucamente para todos os lados.
Tirar uma planta de seu vaso de origem é pra mim o equivalente a subir um nível na escola de natação: amadores não ousam fazer isso com medo de matar a planta. Hoje eu faço isso com confiança e por uns minutos sinto que poderia ser a ‘Head Gardener’ de qualquer jardim digno de um palácio.
Botei um pouco de terra no vaso novo, retirei a Pothos do seu vaso antigo - com tronco e tudo - e fiz o transplante. Preenchi os espaços vazios ao redor com mais terra e fui achatando com as mãos. As unhas ficaram sujas, eu fiquei orgulhosa.


Achei bonita a descrição do processo. Sem firulas, ou metáforas, essa descrição fala muito por si, sobre a forma como você quis, tentou e aprendeu o suficiente para se sentir no comando. E que da decisão até as unhas sujas, tudo faz parte de um pequeno ritual de prazer para você. Decidir algo e realizar o processo é sempre motivo de orgulho.