Onde eu tô mesmo?
Eu sou mais da montanha do que da praia mas como já escrevi antes, entrar na água é uma experiência que eu acho difícil de articular. Não tem abraço em árvore ou chegada ao cume que se equipare, no sentido de contato físico com a natureza. É mais que tocar a terra, é mais do que olhar pra uma paisagem de cartão postal. É ser abraçada, sentir textura, gosto, aroma, ver vários tons da mesma cor, acionar todos os sentidos, tudo ao mesmo tempo.
Há alguns dias eu passei um fim de semana prolongado em Tenerife, em um hotel na praia de Abama. Uma praia pequena, que imagino que não esteja em nenhuma lista ‘tem que ir/tem que ver’. Mas já que estávamos ali perto, por que não?
Um pedacinho de Oceano Atlântico, calmo, cristalino e protegido por um muro de pedras. Sem o perigo de uma correnteza me arrastar pra longe, eu boiei. Nem sei quanto tempo passou, provavelmente não mais do que alguns poucos minutos. O suficiente pra me sentir desligada de tudo, tudo, que acontecia fora dali. Boiar é uma habilidade essencial pra quem gosta de entrar no mar, mas mais que isso é uma ação que desencadeia o que não consigo descrever: todos os sentidos ao mesmo tempo, como escrevi acima. Não tem que fazer esforço, é só estar presente. O corpo desacelera, escutamos nossa própria respiração já que o ouvido pega um pouco do que se passa superfície abaixo. A gente se coloca a disposição da água em vez de bater pernas e braços e lutar contra ela. Parece que dá pra sentir todas as moléculas segurando suas costas, suas pernas, seus braços, seu pescoço. O brilho do sol, mesmo que a gente fique de olhos fechados. Alheios ao que os outros fazem dentro ou fora d’água.
O momento que nos colocamos na vertical novamente é, pra mim, o equivalente aos primeiros segundos assim que abrimos os olhos ao acordar. Leva um tempo pra gente se dar conta do mundo. Onde eu tô mesmo?
Tem a ver com essa edição da newsletter:
Entrar na água
Abri o computador para escrever essa newsletter, e a imagem que apareceu como proteção de tela era uma foto da água do mar cristalina, em um lugar chamado Çapo Greco’. Eu gostei da coincidência.
Maiô
Quando você vai carregar nas costas cerca de 10 quilos durante seis dias, andando cerca de 20 quilômetros por dia, todo item que entra na mochila passa (ou devia passar) por um exame detalhado. Preciso disso mesmo? Vou usar? Qual a probabilidade? Se eu não levar e acabar precisando, dá pra comprar no caminho? Foi assim que desisti de levar um par de luv…
Piscinas de maré
Há alguns meses eu passei um fim de semana prolongado em Cornwall com minha amiga Raphaella. Era um retiro só para mulheres, com o intuito de nadar. Éramos acompanhadas por nadadoras profissionais, mas tudo foi bastante informal. Não precisava nadar se não quisesse. A gente tinha a escolha de simplesmente sentar e apreciar a paisagem enquanto o resto do…






Amo agua. A minha carreira de nadadora foi interrompida pq tenho medo de água escura, mas sempre me sinto completa na água. Ou perto dela.
Eu sou bicho de água. Tendo sempre vivido à beira mar a interioridade deixa-me desconfortável. Há uns tempos dei de caras com uma frase da Karen Blixen que guardei entre as minhas ‘quotes’ favoritas: I know a cure for everything: salt water… in one way or the other. Sweat or tears, or the salt sea.