A regra é clara: quando a escritora anda sem ideia, tem que recorrer a uma retrospectiva. Mentira, a primeira opção para tapar o buraco do bloqueio criativo na época natalina é oferecer uma lista de sugestões de presentes. Mas nem isso eu consegui montar. Portanto, fico com a opção B para salvar essa Selvageria (para os não iniciados em Selvagerias, recomendo ler a primeira de todas).
Vamos então a esses 5 ótimos momentos selvagens de 2022, registrados como Relatos Selvagens.
Quando conheci Harriet Martineau
Fui apresentada a Harriet Martineau quando estava de licença médica do trabalho - por Covid e por estresse, difícil falar qual veio primeiro e qual foi o responsável por exacerbar o outro. Mas o fato é que em setembro fiquei 2 semanas de repouso, me recuperando física e mentalmente.
Foi aí que conheci Harriet. Ela era uma das mulheres retratadas em um livro sobre mulheres andarilhas, que jogaram todas as expectativas sociais pela janela e saíram para desbravar seu entorno, sua cidade, seu país, a pé. Adorei conhecer todas elas, mas Harriet ganhou lugar especial no meu coração. Aqui eu conto o porquê.
Quando aprendi uma nova palavra em inglês
Parece inacreditável que, enquanto escrevo aqui, esteja 1 grau lá fora, sendo que há 5 meses o país enfrentava uma seca, e uma onda de calor infernal. Da mesma forma que todo mundo que mora em Londres está há 2 dias publicando fotos de parques nevados na internet, há 5 meses estávamos todos mostrando a grama esturricada desses mesmos parques.
Mas um dia, finalmente, choveu. E aquele cheiro maravilhoso de terra molhada pesou sobre a cidade. E eu aprendi como se fala isso em inglês.
Quando exercitei minha paciência em Cornwall
Eu e M nos tornamos aquele tipo de família que vai sempre pro mesmo destino no verão. Nunca achei que isso fosse acontecer, mas não poderia estar mais feliz com isso. Em julho de 2022 fomos pela terceira vez para Cornwall, no sudoeste da Inglaterra.
Uma semana que ficou marcada com uma das melhores desse ano. Pelas paisagens, praias, vida boa, e o exercício constante de paciência.
Quando protestei contra Samuel Johnson
Minha amiga intelectual veio passar uns dias em Londres. Seria um encontro especial, a primeira vez que nos vemos ao vivo. Poxa, unir uma pessoa intelectual com Londres parece a combinação perfeita, não?
Não. Porque intelectuais também descansam, e há vida fora de Londres (Samuel Johnson estava errado), eu levei minha amiga para o litoral.
Quando eu distorci a famosa frase de Virginia Woolf
Tudo porque eu visitei o jardim da casa da amante dela, e esse jardim é um dos lugares mais sensacionais que já botei os pés por essas bandas. Vita Sackville-West, uma grande escritora, e uma excelente mãe de planta, provou pra mim que as vezes o que a gente precisa é um jardim todo nosso.
Claude Monet concorda.
Se você chegou até o fim dessa auto-retrospectiva, obrigada pela companhia! E aproveita que ainda está por aqui pra deixar um comentário contando qual seu melhor momento selvagem de 2022.


